O mais corrosivo sobre a interferência do politicamente correto no humor é que a vasta maioria do que consideramos engraçado em uma piada tem a ver com nossas falhas, nossos vícios, no que há de sombrio e assustador no mundo. - Um leão está vindo! - Vou colocar meus tênis. - Mas você nunca vai conseguir correr mais que o leão. - Não preciso. Só preciso correr mais que você. Tudo é aterrorizante e decadente nessa narrativa. Tanto a morte quanto a ideia de ser devorado por uma fera faz parte do nosso repertório de pavores mais profundos. Um dos personagens irá abandonar o outro de forma covarde, usando-o como instrumento para salvar-se. É uma cena de decepção, desespero e dor, mas o riso funciona como aquelas jaulas que mergulhadores usam para observar tubarões brancos em seu habitat natural. Nossos demônios circulam lá fora, mas o hilário fornece a blindagem que nos permite contemplá-los de perto com um sorriso.